Pacheco Pereira e a Pederastia
As recentes declarações de Pacheco Pereira acerca da adopção por casais homossexuais roçam o ridículo de tal forma que quase se torna difícil escrever sobre este assunto. Ainda assim, dada a gravidade da situação, o Caleidoscópio LGBT considera imprescindível responder às suas grosseiras afirmações: "Há uma coisa que ninguém quer discutir. Uma das razões por que há objecções de adopção em relação às uniões de pessoas do mesmo sexo, principalmente no caso da homossexualidade feminina, é o risco de pederastia. (...) Quem conheça a história das relações homossexuais sabe que há uma relação entre homossexualidade e pederastia.” Reconhecemos um único “mérito” a Pacheco Pereira: é difícil para qualquer pessoa, em menos de dois minutos dizer tantas incorrecções, disparates e acusações infundadas como este senhor foi capaz de fazer nesta situação. Fica o reconhecimento pela tentativa de um recorde do Guinness World Records – ainda que da pior forma.
Além disso, está demonstrado que a grande maioria dos crimes pedófilos são cometidos sobretudo por adultos do sexo masculino, tendo como vítimas crianças do sexo feminino. Vários estudos e dados o comprovam, como por ex. os divulgados pela Direcção Geral dos Serviços Prisionais (Novembro de 2002), em que de um universo de 189 reclusos condenados por crimes de abuso sexual de menores, são menos de 4% os que se referem a práticas homossexuais com menores. É como tal curioso que opte por ignorar esta realidade dos factos, fazendo uma incorrecta colagem da homossexualidade à pedofilia, revelando má fé, ignorância e preconceitos difíceis de encontrar em pleno século XXI em Portugal. Mais curioso (leia-se incongruente) ainda se torna o seu discurso com a afirmação “principalmente no caso da homossexualidade feminina”. Dado que pederastia se refere a relações entre um menor e um adulto, ambos de sexo masculino, seria interessante que nos explicasse então porque razão se preocupa particularmente com os casos de adopções por casais de lésbicas. Que Pacheco Pereira apresenta nas suas dissertações níveis de homofobia gritantes, não é desventuradamente nada de novo. Agora que, para defender os seus preconceitos, se sustenha em pura deturpação de factos, realidades, definições e até ausência do mínimo bom senso, é algo que nos deixa ainda surpreendid@s e indignad@s. Infelizmente, para nosso mais profundo repúdio. O grupo de trabalho do Caleidoscópio LGBT |